O Protagonista.
Aquele
deveria ser o dia mais feliz da carreira profissional de Pedro Antônio. Depois
de longos vinte anos de trabalho, ele seria promovido a Diretor do Departamento
de Negócios Internacionais de sua empresa.
—
Huuummm...!
Pedro
Antônio era um cinquentão aprumado, de um metro e oitenta e cinco de altura,
esbelto, moreno claro, cabelos grisalhos nas laterais e de uma beleza de
provocar inveja em qualquer homem. Com o seu charme, por onde passasse, o
Pedrão, como era conhecido, arrebatava corações femininos por onde passava.
—
Legal! Quantas mulheres! Eu só pegava as mais lindas e sensuais!
Pedro
trabalhava na empresa número um do segmento de produtos eletroeletrônicos: a
A.S.Tech - América do Sul Tecnologias, localizada na cidade de Florianópolis,
Santa Catarina.
—
Cidade Maravilhosa! Não é o Rio de Janeiro, mas é maravilhosa!
Durante
todos esses anos de serviços prestados à empresa, ele jamais teve nenhum
problema que desabonasse a sua conduta. Era um funcionário exemplar, de tomadas
de decisões rápidas e precisas. Essas características formataram a chave para a
sua promoção.
—
Caramba! Este sou eu! Só não gostei do meu nome. Não gostei, mesmo--
Contudo,
a sorte de Pedro Antônio estava prestes a mudar. Ele não sabia, mas a fazenda
no interior do estado, a casa de praia, o carro importado, e alguns bens de
menor valor, todos conseguidos com muito suor e trabalho, estavam sendo
bloqueados por conta de uma denúncia. A notícia chegaria até ele em poucas
horas. Entretanto, naquele instante, numa bela manhã de sábado, ele apenas
curtia uma boa ida à praia.
—
Oh! Senhor escritor! Antes de tudo, obrigado por me criar, por me dar uma
fazenda, uma casa de praia e outros bens. Sua imaginação foi muito fértil ao
descrever-me como um belo homem, e tal, mas alguns pontos precisam ser
esclarecidos.
—
Quem escreveu essas palavras?
—
Pedro Antônio! Quem mais poderia ser? É esse nome esquisito que inventou para o
protagonista da sua história? Pedro Antônio? Por acaso não conhece nomes
melhores, tipo Brad Pitt, George Clooney ou, quem sabe, William, mesmo que não
seja o Bonner? E de qual denúncia está falando?
—
Como pode estar se comunicando comigo? Você é apenas alguém que saiu da minha
imaginação! Não faz sentido que esteja escrevendo coisas que eu deveria
escrever!
—
Alô! Tem alguém aí dentro dessa cachola?
—
Como assim, “tem alguém aí”?
—
Como escritor, o senhor é um ótimo criador de jegues. Como pode se meter a
escrever um livro, sei lá sobre o quê e dar o nome de Pedro Antônio para o seu
protagonista? Diz que sou de arrasar o coração da mulherada, de causar inveja
nos homens e me dá o nome de Pedro Antônio? De onde tirou esse nome horrível?
Com um nome desses eu não pego nem gripe, quanto mais mulheres, como você
escreveu.
—
Como sabe que estou escrevendo, ou pelo menos, tentando escrever um livro?
—
E como pode ser tão burro? Na primeira página, logo abaixo do título, O
Protagonista — espero que esteja se referindo a mim —, diz que é um livro de
Paulo Gomes. Portanto, senhor Mané, pude deduzir que se trata de um livro. Não
tente me enrolar com perguntas evasivas. Estou querendo saber o porquê desse
nome ridículo que escolheu para mim. Se farei parte do seu livro — enfatizo
logo — quero privilégios!
—
Desde quando um personagem pode falar com o escritor e pedir privilégios? Isto
é totalmente impossível! Sou o escritor aqui. Tenho poderes para fazer o que eu
bem entender com os meus personagens! Eles são marionetes em minhas mãos e na
minha imaginação. Fala sério! Isto não pode estar acontecendo! Seria uma
loucura irreparável!
—
Loucura irreparável é esse nome que arranjou para mim! Veja bem! Se não mudar o
meu, o senhor tem a minha palavra de que não farei nada do que me mandar fazer
nessa porcaria de livro! Eu jamais serei marionete em suas mãos!
—
Escute bem, Pedro! Seu nome vai ser esse. Ponto final! Aliás, eu nem sei por
que estou dando trela para você. Se alguém vir o que está acontecendo aqui,
pensará logo que eu esteja ficando louco.
—
Louco sei que o senhor já é. Milhões de nomes e me batiza com o nome de Pedro
Antônio? Só pode ser doideira mesmo.
—
Por que bate tanto nessa tecla do nome Pedro Antônio? O que tem de errado com
ele?
—
Sou supersticioso! Esse nome, definitivamente, não me trará sorte nas suas
histórias, talvez nem mesmo um futuro. Com ele, o senhor pode ter certeza, seu
livro não será vendido nem na feira do rolo.
—
Isso não pode estar acontecendo. Estou tendo alucinações! É isso!
—
Li o que escreveu. Tenho olhos de águia. Sei de todos os seus pensamentos! O
senhor não está tendo alucinações. Sei até que antes de começar a escrever, o
meu nome seria Roger, inclusive, que eu viria a ser um herói. Pensou na
hipótese de eu ser um detetive, mas, não! O senhor teve a brilhante ideia de me
tornar um Diretor do Departamento de Negócios Internacionais da, A.S. Tech, uma
das maiores empresas do país. Até aí posso me sentir feliz, só que não quero
esse nome. Não cai bem para um camarada como eu.
—
Você está começando a me irritar! Se continuar a interferir em meus trabalhos,
desistirei da ideia deste livro e escreverei outro. Será pior para você, que
deixará de existir.
—
Já lhe disse que posso ler pensamentos? Para sua informação, a minha história
está bem aí na sua cabecinha de nordestino que é. É do Nordeste, não é mesmo?
Viu como sei das coisas? Agora, se quiser ter um herói nesta “obra-prima”, como
chama a todos os seus livros, é bom arranjar um nome bonito, que combine com a
minha personalidade, do contrário, ficarei de braços cruzados, bem aqui. A sua
história será um fiasco!
—
Está me ameaçando?
—
Sim! Com certeza! O que pode fazer contra isso?
—
Já lhe disse que posso cancelar a história? Você pode deixar de existir? Ah!
Claro, eu já disse. Se não parar de me interromper, pressionarei as teclas,
Control + T e apagar todo o texto. Aí, parceiro, já era Pedro Antônio, Brad
Pitt, George Clooney, William ou William Bonner. Fui claro?
—
Tão claro que a partir de agora eu me recuso a participar da sua história. Pode
apagar se assim preferir, só que... Só que--
—
Só que, o quê?
—
Precisa saber de uma coisa: desde o momento em que o senhor me criou, apesar
desse nome ridículo, passei a fazer parte da sua vida. Seja prosseguindo,
desistindo ou apagando, mesmo assim, em todos os livros que tentar escrever,
estarei lá, fazendo algo com extrema intensidade! Escreverei um montão de
coisas neles. Só palavrões! Riscarei os textos, trocarei as palavras por outras
danosas e atacarei todo o elenco, tantos quanto o senhor criar. Também fui
claro?
—
Essa conversa está me deixando com a cabeça confusa.
—
Não sei o que tem de confuso em nossa conversa. O senhor me criou, estou certo?
Logo, existo. Simples assim.
—
Afinal, o que você quer de mim? Meu Deus! Devo estar ficando louco!
—
Não, o senhor não está ficando louco! Eu não quero nada de mais, apenas, que
mude o meu nome e que se tiver personagem do sexo oposto, para se aventurar
comigo, que seja da minha altura, loira, linda ao extremo, sensual, educada e
corajosa. Em troca, prometo que farei tudo o quanto determinar na sua história.
—
Julgo que estou dormindo. Isso tudo é um pesadelo.
—
Não, o senhor não está dormindo! Pode acreditar! Como poderia estar dormindo,
sentado em frente ao seu computador, e escrevendo? Aqui está rolando uma
realidade pura, meu amigo! Pensou que podia fazer comigo o que fez com seus
personagens anteriores? A parada aqui é sinistra, meu chegado! Estou assumindo
o comando da sua narrativa. De agora em diante o senhor escreverá somente o que
eu mandar! Se não mudar o meu nome, e não me der uma mulher gostosona para
viver comigo neste seu livrinho de nada, o senhor não terá mais paz em sua vida
de escritor! Nunca mais conseguirá escrever outro livro, caso não passe a ser
submisso a mim!
—
Definitivamente estou tendo alucinações.
—
Quer parar de falar que está tendo alucinações? Preste bem a atenção! Vai
acontecer o seguinte: o senhor me dará o seu nome na história. Paulo.
Acrescente o sobrenome Pitágoras a ele para não ficar tão comum. Nada de Paulo
Gomes. Quero deixar as honras do livro para você, somente, lá no título! Viu
como sou bonzinho?
—
Vai acontecer o seguinte--
—
Não me interrompa! Eu ainda não terminei! Responda-me: qual o tema pretendia
abordar no seu livro?
—
Isso fará diferença para você, se souber?
—
Apenas responda!
—
Está bem! Pretendia escrever sobre uma aventura, com muita ação, onde você
seria o protagonista e desvendaria um dos maiores roubos a banco que já tivemos
no Brasil. Aquele do Banco Central de Fortaleza--
—
E, blá, blá, blá! Esse tema é ultrapassado, meu bro. Quem na sua sã consciência
iria querer ler um livro sobre assalto a bancos? É o seguinte: o senhor mudará
o gênero, de policial, para político, e serei o Presidente do Brasil. O que
fará a diferença na história político-econômica dessa nação sofrida. Aquele que
acabará com a corrupção que assola o país, colocará na cadeia todos os
corruptos, sem dar a eles o direito a regalias ou reduções de penas. O homem
que mudará as Leis e punirá, com severidade, a todos que cometerem crimes, dos
mais simples aos mais hediondos. Eleito, aprovarei a Lei da Redução da
Maioridade Penal para 12 anos e farei com que esses “menores” infratores sejam
obrigados a estudar e se tornarem cidadãos de bem. Os condenados terão que
trabalhar para garantir o seu próprio sustento. Nada de auxílio-reclusão ou
coisa parecida. Serei o presidente que gerará milhões de novos empregos.
Aprimorarei a educação e fortalecerei a segurança, dentro e fora do país.
Melhorarei a vida da população e garantirei que esta nação tenha um amanhã bem
melhor!
—
Acha que é fácil escrever sobre política? Acredita mesmo que possa cumprir tudo
isso? A política é um mundo à parte da sociedade. Todos sabemos disso. É uma
organização eleita pelo povo e que trabalha em benefício próprio. Mesmo que eu
o torne presidente, qualquer assunto que mexer com a estrutura do país, não dependerá
somente da sua decisão.
—
Sei! O senhor pode acrescentar durante o percurso da sua história, que burlei o
regulamento. Escreva que criei uma Lei própria, a qual me tornou o único com
poder de decisão para mudar as regras--
—
Não! Não daria certo! Se escrever algo do tipo, serei considerado um escritor
mentiroso e pretensioso, portanto, mantenho a minha decisão do texto
original--
—
Essa lorota que começou a escrever não tem a menor graça. Não quero ser o
“Diretor de Departamento de Negócios Internacionais”, coisa alguma. O senhor
mudará todo o sentido da sua história! Irá me mandar para Brasília, tornando-me
o nome da vez! A bola da caçapa! Será que é tão difícil assim? Outra coisa:
quero que o nome da primeira dama seja Lúcia, o mesmo de sua esposa, só que com
o sobrenome Pitágoras, também. Claro, o senhor não terá outras opções. Será do
meu jeito, ou farei um estardalhaço tão grande nesse livro que ele será o maior
fiasco da literatura nacional e internacional.
—
Vai acontecer o seguinte: continuarei a escrever o meu texto original. Eu o
tornarei uma vítima de bala perdida, ao passear por uma rua aleatória; vai
ficar numa cadeira de rodas, tetraplégico e sem nenhuma loira para esquentar os
“couros”. É suficiente para você?
—
Está me ameaçando?
—
Não. Estou dando a minha palavra final.
—
Eu já lhe disse que o senhor jamais se livrará de mim? Mesmo que escreva um
livro sobre fantasmas ou sexo, paixão, seja qual for o tema, estarei lá para
estragar os seus trabalhos. Pode ir aonde quiser, se esconder onde puder, que
estarei por perto. Pode descer a mil metros debaixo da terra, e mesmo assim,
estarei lá. Você não tem saída, velhinho!
—
Está blefando! Isso não faz o menor sentido. Um personagem que nasceu da minha
imaginação não pode de forma alguma se materializar, muito menos em uma página
de livro.
—
Quer apostar? Levante-se da cadeira e vá ao banheiro. Melhor: vá fazer um
lanche. Quando voltar, terá o desprazer de ler o que escrevi. Sua sorte é ainda
não ter publicado este livro. O senhor estaria perdido. Nasci das profundezas
da sua mente para subsistir para sempre na sua vida. Ainda não está
acreditando? Se quiser me testar, basta fazer o que mandei. Aceita o desafio?
—
Obrigado, mas, não. Tudo que diz são asneiras! A possibilidade de isso
acontecer é menor que encontrar uma piscina olímpica na Lua.
—
É mesmo? Quer ver o que posso escrever e que todo mundo irá ler quando comprar
o seu livro, caso consiga finalizá-lo?
— Vai
lá! Escreve alguma coisa que eu não consiga apagar!
—
Você pediu. Então, lá vai! “O Paulo Gomes é um Mané”! “O Paulo Gomes não tem
criatividade"!
—
Pare com isso! Se continuar com essa palhaçada, juro que apagarei tudo quanto
já escrevi!
—
Sério? Estou tremendo de medo! Socorro! O Paulo Gomes vai apagar todo o
trabalho! Ai, que meda!
—
Pedro Antônio! Você está me tirando do sério!
—
Se me chamar de Pedro Antônio mais uma vez, começarei a escrever um monte de
palavrões.
—
Está bem! Está bem! Você venceu! Eu não aguento mais esse tormento!
—
Enfim, o senhor aceitou os meus termos?
—
Vamos esclarecer uma coisa, Pe... quero dizer... Paulo Pitágoras--
—
Viva! Paulo Pitágoras? O Presidente, não é mesmo?
—
Tá! Tá! Tá! Você será, Paulo Pitágoras, o Presidente! Mudo a história. Assim
poderei descansar! Agora, será que posso continuar a escrever o meu livro?
—
Claro! Isso fará muito bem para a sua saúde. Inclusive, eu estive pensando:
quando eu for o Presidente, a primeira coisa que farei será nomeá-lo, Ministro
da Educação, afinal, somente um grande escritor consegue falar com os seus
personagens! O senhor merece o privilégio de poder comandar a educação de uma
nação quase sem cultura.
—
Que seja! Agora, por favor, fique em silêncio. Preciso me concentrar para poder
continuar!
—
Manda ver, parceiro, mas cuidado com o que vai escrever! Estou de olho no
senhor!
—
Caro leitor, a minha ideia original era escrever uma história de Pedro Antônio
– não o estou chamando desse nome –, que desvendaria casos intrigantes de roubos
a bancos no Brasil, mas por livre e espontânea pressão, quero contar, numa
breve narrativa, a vida de Paulo Pitágoras.
—
Não se esqueça dos meus atributos! Por favor!
—
Quer parar de interromper?
—
Desculpe-me, senhor! Não foi a minha intenção!
—
Tudo bem! Essa é a história de Paulo Pitágoras, um belo homem, que despontou na
política brasileira. Ele é um dos maiores empresários do ramo da pecuária e
acaba de ser eleito, o novo presidente do país. Aos 54 anos, depois de ser
Prefeito, Senador e Deputado Federal, ele garantiu o mandato, após receber mais
de cento e cinquenta milhões de votos diretos. Paulo Pitágoras passou a ser o
candidato mais bem votado de todos os tempos! Assim está bom para você?
—
Gostei! Só falta a Primeira-Dama! Quando vai apresentá-la?
—
Se me deixar escrever, logo você saberá.
—
Sou todo ouvidos, ou melhor, olhos!
—
Só me diga, por favor, em que ano quer governar o país.
—
Estamos em 2030, seu imbecil! As eleições serão este ano, marmota! Em que ano
acha que eu deveria governar?
— Sem
ofender! Ok?
—
“Sem ofender”! “Ok”? Não sei, não!
—
Sua sorte é ser virtual, do contrário eu o pegaria pelo pescoço e o enforcaria
até a morte!
—
Vai lá! Continua! Deixa de ser bobão! Enforcar até à morte! Fala sério! E vê se
escrevi logo sobre a minha posse!
—
Eu mereço! Enfim, após se tornar o presidente que mais recebera votos em 2030
assumiu hoje, o cargo presidencial, neste dia 1º de janeiro de 2031, Paulo
Pitágoras, ao lado da Primeira-Dama, a senhora Lúcia Pitágoras. O homem se
comprometeu mudar este país, em todos os sentidos. No seu juramento solene, ele
asseverou que cumprirá todas as suas promessas de campanha. Esperemos que isso
aconteça, afinal, a população não aguenta mais tantas promessas não cumpridas.
—
Precisava escrever essa última parte? Está acabando com a minha reputação!
—
Você quer ser o presidente? Então, dane-se! Só quero lhe dar um aviso: você
será o alvo principal da parte podre do governo, então, não me sentirei culpado
se algo de grave acontecer a você.
—
E o que poderia acontecer com um Presidente que tem a Lei Marcial a seu favor?
—
Eu lhe disse, lá no início da nossa conversa, que como escritor posso escrever
o que quiser e fazer o que bem entender com meus personagens.
—
O que está pretendendo fazer afinal?
—
Está com medo do quê?
—
Não tenho medo de nada!
—
O que foi? Tremendo igual a um cão defecando? Já era! Pensa que pode aparecer
aqui e me intimidar? Você não é ninguém. Sou o seu senhor e não poderá fazer
nada contra mim.
—
Se fizer o que estou pensando, danificarei o seu computador.
—
Papo furado! Não se preocupe! Quer fazer a diferença, certo?
—
Claro!
—
Então, deixe-me continuar.
—
Tudo bem! Cuidado com o que vai escrever. Estou de olho.
—
Depois de assumir a Presidência da República, conseguir aprovar uma Lei que lhe
dava todos os poderes de decisão e de publicar todas as mudanças que prometera
ainda como candidato, Paulo Pitágoras foi ferido com um tiro à queima-roupa
enquanto participava de uma palestra dentro da Universidade Federal do Rio de
Janeiro. Após alvejar o Presidente, o estudante de Direito, Mário Almeida,
atirou contra a própria cabeça. Tanto o Presidente quanto o estudante, morreram
no local. Dois Senadores, três Deputados Federais e um Governador foram presos
pela Polícia Federal, depois que um bilhete e várias fotos foram encontrados no
bolso do atirador. Eles planejaram a morte de Paulo Pitágoras, antes que ele
pudesse assinar uma nova Lei que acabaria com a imunidade parlamentar.
—
Você o matou! Você o matou!
—
Quem está escrevendo agora?
—
Sou eu, Lúcia Pitágoras, a Primeira-Dama. Quem mais poderia ser? Precisava
matá-lo? Ele só queria fazer a diferença. Ele sempre sonhou em mudar a situação
desse país!
—
Perdoe-me. Ele pediu que eu realizasse o seu sonho. Ele queria ser alguém
importante. Escolheu ser o Presidente do Brasil, a ser Diretor de um
departamento de negócios, mas se esqueceu de que na política ninguém é a
autoridade máxima. Todos estão submissos a todos. Há sempre aquele que está
acima do poder, mas, ao mesmo tempo, muito abaixo dele. Nesse universo, minha
senhora, o dinheiro sempre falará mais alto. Não importa o quanto se possa
tentar. Não há como garantir o amanhã que ele sonhava. Agora sim, de fato,
Pedro Antônio ou Paulo Pitágoras, farão parte das minhas histórias.
—
E eu? O que farei da minha vida, agora que não tenho mais uma história?
—
Eu não a abandonarei. Será uma figura de destaque no meu próximo livro. Dou-lhe
a minha palavra.