O meu coração chora!
Sinto angústia por todos que foram acometidos por essa praga que aflige as nações, das mais poderosas às mais empobrecidas!
Tenho a todo momento, visões tão embaraçosas, quanto nítidas, que perturbam a minha mente, o meu ser!
Vejo um imenso campo, que um relampejar me mostra que antes ele era verde, mas que agora está seco, escuro, tenebroso!
Ao meu lado, ouço vozes me recriminando, dizendo que estou sendo descomedido, amargo, agourado, mas sei o que vejo! Posso até sentir o respirar em afogamento daqueles que estão na agonia da morte por causa dessa doença, deitados sobre as cinzas negras do campo em visão!
O que mais me dói, é saber que eu nada tenho a fazer, nem mesmo aproximar-me para consolar, o antes, arrogante, agora indefeso ser!
Posso ver, mesmo que seja microscópico, ele se movendo, descendo as vias respiratórias, comendo a carne, inchando-a, apodrecendo os pulmões, sufocando, arrancando a vida de dentro deles! Nesse ápice de minha mente, tento combatê-lo, mas, apesar de tão diminuto, ele tem poder sobre mim!
No lado mais negro das minhas visões, vejo um experimento! A ideia de alguém lançando a premissa de uma guerra bacteriológica! Na minha visão periférica, vejo homens de roupas brancas e armaduras, com frascos nas mãos, olhando o objeto contra a luz e fazendo o sinal de positivo para o seu grande chefe! Alguém, uma cobaia, talvez, tomou um líquido transparente! Ele faz uma cara feia, engole com dificuldades e, mesmo sentindo-se estranho, sorri levemente para todos em volta dele! Consigo até saber o número de pessoas naquele lugar secreto e sombrio ao mesmo tempo! Um homem com cara de mau, se aproximou de mim! Como ele sabia que eu estava olhando a tudo? Ele não fala a minha linguagem, mas consigo entender o que está dizendo! No final de suas falas ele concluiu com a palavra: vitória!
Assustado, saio de lá e corro o mais rápido que consigo! Quando chego ao meu lugar de origem, alguns raios coloridos me mostram o campo, outrora negro, mais que verdejante! Mais outro relampejo e vejo no centro daquele campo, as pessoas agora de pé e um homem no meio delas,envolto em luzes coloridas e ofuscantes! Ele tinha a mão esquerda sobre o peito e a direita erguida para o alto! Tudo em volta está reconstruído, brilhando, florido, produzindo frutos, em paz de novo!
Ainda consigo ouvir o respirar das pessoas naquele campo, agora não mais com o som de afogamentos, mas com suavidade!